Segundo SuperVia, grevistas queriam mais segurança no trabalho.
Sindicato pediu também a readmissão de funcionários demitidos.
Cláudia Loureiro e Aluizio Freire Do G1, no Rio
Os funcionários da SuperVia, concessionária de trens do Rio de Janeiro, decidiram na tarde desta quinta-feira (16) acabar com a greve da categoria que estava já no quarto dia, segundo o advogado do sindicato, Paulo Roberto Moreira Mendes.
Segundo o advogado, os funcionários voltam aos postos de trabalho ainda nesta tarde. Ele explicou também que os termos do acordo entre o sindicato e a SuperVia devem ser homologados no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Antes da audiência de conciliação no TRT na tarde desta quinta, o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Walmir Lemos, informou as reinvidicações dos sindicalistas.
Eles vão pedir a readmissão de sete funcionários demitidos; uma comissão para acompanhar o inquérito administrativo sobre outros demitidos por indisciplina; uma segunda comissão para acompanhar as denúncias de agressão aos passageiros na quarta-feira; e nenhuma retaliação aos funcionários que estavam em greve.
Na quarta-feira (15), funcionários que estavam na estação de Madureira, no subúrbio do Rio, foram flagrados pelo cinegrafista Eduardo Torres agredindo passageiros – deram socos, chutes e chicotadas.
Trens continuam parados
A SuperVia informa que ainda não foi comunicada oficialmente sobre o fim da greve. Por isso, mantém o esquema de especial de funcionamento dos trens. Só depois do comunicado oficial, a concessionária poderá avaliar se há ou não possibilidade de os trens em todos os ramais e nos horários normal ainda nesta quinta-feira (16).
O presidente da concessionária, Amin Murad, está na audiência do Tribunal Regional do Trabalho, junto com representantes do Sindicato dos Ferroviários e da Agetransp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro).
Amin Murad comentou, em entrevista ao RJTV, que a alegação inicial dos grevistas era por melhores condições de segurança no trabalho. Depois, a categoria passou a reivindicar, segundo ele, a readmissão de funcionários dispensados nos últimos quatro meses.
PM foi ouvido
Foi identificado e ouvido na manhã desta quinta-feira (16) o policial militar que estava na estação de trem de Madureira e é suspeito de não reprimir a agressão a passageiros na quarta (15). A informação foi confirmada pela assessoria da PM, que também afirma que foi aberta uma sindicância para apurar o caso.
Em entrevista na segunda-feira (13), no Palácio Laranjeiras, o secretário estadual de Transporte, Julio Lopes, manifestou sua preocupação com a extinção do Batalhão Ferroviário da Polícia Militar (BPFer), em janeiro, e a necessidade de formar uma equipe de agentes preparados para substituir os militares e atuar nas estações.
“Precisamos pensar em uma nova força tarefa para conter a questão de abertura de portas, que é uma coisa complicada, que nós sabemos. Mas o BPFer foi extinto e a Supervia tinha que levar um tempo para equipar tropas e fazer essas intervenções”, disse.
Com a extinção do BPFer, o grupo de 300 policiais foi reduzido para 90 homens e a equipe passou a se chamar Grupamento de Policiamento Ferroviário.Delegado vai ouvir 20 funcionários da SuperVia
O delegado Júlio da Silva Filho, da 29ª DP (Madureira), quer ouvir todos os funcionários da SuperVia que estavam trabalhando na estação de Madureira nquarta-feira (15) quando passageiros foram agredidos com socos, pontapés e até chicoteados. Segundo ele, cerca de 20 pessoas devem comparecer à delegacia nos próximos dias para prestar esclarecimentos sobre o caso.
As imagens mostram, pelo menos, quatro funcionários, já demitidos , participando da ação. Além deles, um policial militar, também flagrado, é suspeito de não ter impedido os atos de violência.
"Estamos trabalhando para trazer os autores até a delegacia para que sejam ouvidos. Além deles, todos que trabalhavam naquele dia também serão ouvidos", diz o delegado, que ainda não conseguiu confirmar quando começarão os depoimentos.
Segundo ele, os suspeitos envolvidos na agressão podem responder por lesão corporal dolosa, quando a intenção de provocar o dano.
* colaborou Alba Valéria Mendonça, do G1, no Rio
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