Mesmo abatido e repousando no HPM, coronel reafirma propósitos do grupo.
Ele garante, no entanto, que mobilização não vai prejudicar segurança do cranaval.

O coronel Paulo Ricardo Paúl, ex-corregedor interno da Polícia Militar, interrompeu o repouso no Hospital da Polícia Militar (HPM), onde se internou para se refazer do abatimento das duas noites sem dormir, para analisar os próximos passos de sua liderança pela campanha por melhores salários para a categoria.
“O movimento não vai parar. Estamos preparando outras medidas para continuar nossas reivindicações. Nossa pauta mais importante é a questão dos salários. Isso é uma questão de honra”, disse, anunciando mais uma reunião na noite desta quinta-feira (31) na sede da Associação dos Militares estaduais do Rio de Janeiro, no Centro.
Paúl, exonerado dia 26, relacionou os baixos salários à corrupção em seu blog na internet e foi um dos responsáveis pela passeata na orla da Zona Sul, no domingo. O protesto, segundo o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, teria ocasionado a queda do coronel Ubiratan Ângelo do comando da PM. No seu lugar, assumiu o também coronel Gilson Pitta Lopes.
O ex-corregedor não esconde o desapontamento de ver o coronel Gilson Pitta Lopes à frente do comando-geral da PM, já que ele foi um dos signatários do manifesto dos Barbonos, cujos adeptos assumiram o compromisso de não aceitar convite para o cargo. “Não aceitamos o nome dele e nem o do secretário (José Mariano Beltrame, de Segurança Pública). Ontem (quarta-feira), tive que segurar a marcha de oficiais até a porta do Quartel-General, para fazer um protesto durante a posse”, afirmou.
Ex-corregedor da corporação, o coronel Paulo Ricardo Paúl disse também “que está se sentindo ameaçado” depois de ouvir a declaração do chefe do Estado-Maior, Antônio Carlos Suarez David, que disse que vai tratar os inimigos com “braço-de-ferro”.
Ele garantiu, no entanto, que o grupo não vai promover conflitos que atrapalhem o esquema de segurança para o carnaval. “Vamos fazer tudo o que for possível. Mas, para isso, é bom que parem de acirrar os ânimos da tropa”, retrucou, num claro recado ao governador Sérgio Cabral e ao secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.
O oficial alegou que as pessoas que abandonam o movimento em troca de cargos “estão sendo cooptadas” pelo governo do estado. Ele estranhou o fato de ver no boletim da corporação, nesta quinta-feira, onde consta sua transferência para a Diretoria de Ensino e Instrução, um aditamento a um ato do governador publicado no dia 25 de janeiro que não lhe permite escolher para onde quer ir.

Rio - Por uma semana, a família de Delotrides Martins, 90 anos, tentou, sem sucesso, atendimento médico em uma unidade de Magé, para a idosa, que é moradora da cidade e fraturou o fêmur. A família reclama que enfrenta a dificuldade porque nem a paciente, nem algum parente seu, tem um título de eleitor do município. “Isso não tem cabimento. Minha avó chora de dor e eu não consegui nem ambulância para socorrê-la porque meu título é do Rio”, denuncia o vigilante Alexandre Taborda, 36. A mesma queixa é feita pela diarista Marlene do Espírito Santo, 51 anos, que torceu o pulso no dia 11. Apesar de morar em Piabetá, Magé, seu título eleitoral é do Rio, onde trabalha.



Rio - O esquema montado com contratos irregulares com Organizações Não Governamentais (ONGs), principalmente nas prefeituras de Magé e Santo Antônio de Pádua, pode ter desviado mais de R$ 25 milhões. As informações fazem parte da Operação Uniforme Fantasma, deflagrada quinta-feira pelo Ministério Público (MP) e a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que investigam rombo de R$ 100 milhões em seis prefeituras em licitações fraudulentas e contratos irregulares com ONGs. Entre elas, os principais alvos são a Associação Brasileira de Desenvolvimento Humano (ABDH), a Organização Nacional de Estudos e Projetos (Onep) e o Instituto de Assistência ao Município (IAM).
Rio - Prestes a comandar a operação policial para garantir segurança à maior obra já feita em favelas do estado, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, planeja mudanças na estrutura das polícias Civil e Militar. “Para depois do Carnaval”, avisa, ressaltando que a PM — alvo de um diagnóstico — passará por mudanças mais profundas, inclusive de pessoal. Apesar de reconhecer o direito de reivindicar salários, Beltrame considera “insubordinação” a manifestação que os militares preparam para hoje, na orla da Zona Sul. E manda um recado duro. “Essa instituição está dando a resposta a ponto de merecer o retorno salarial? É confiável? Tem credibilidade?”, pergunta. Na manhã da última sexta-feira, o secretário falou com exclusividade a O DIA sobre seus planos para o PAC e para a segurança do Rio este ano.