sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Liminar suspende processo contra Thor Batista por homicídio culposo

Renata Leite - O Globo

RIO — A equipe de defesa de Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, conseguiu uma liminar na Justiça que suspende o processo referente ao atropelamento que levou um ciclista à morte, no dia 17 de março de 2012, como informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO.

O acidente ocorreu na Rodovia Washington Luís, na altura de Xerém, município de Duque de Caxias. Thor foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) após o atropelamento.

Thor Batista presta depoimento no Fórum de Caxias sobre o atropelamento de ciclistaThor Batista presta depoimento no Fórum de Caxias sobre o atropelamento de ciclista Foto: Fábio Guimarães - 12.09.2012 / O Globo

O pedido de suspensão do processo foi feito pelos advogados Márcio Thomaz Bastos e Celso Vilardi. Eles questionam um novo laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), apresentado na última audiência, em dezembro, de que não tiveram conhecimento prévio. Segundo Vilardi, o perito que calculou a velocidade do carro de Thor no momento do atropelamento afirmou que enviou a metodologia utilizada para o Ministério Público há meses. A defesa, no entanto, não teve acesso ao documento.

— No nosso entendimento, o perito não deveria ter contato direto com o MP, assim como também não o temos. Além disso, apesar dos pedidos, não tivemos acesso aos cálculos. Se o tivéssemos, teríamos a possibilidade de passá-los aos nossos assistentes técnicos para possíveis contestações. Houve quebra do princípio de paridade, a meu ver — afirmou Vilardi.

O perito afirma que Thor Batista estaria a no mínimo 135 km/h no momento do atropelamento. O limite de velocidade na rodovia é de 110 km/h. A defesa nega que o réu estivesse a essa velocidade e questiona a metodologia usada pelo perito para chegar a ela.

Em sua decisão, o desembargador Antonio Carlos Bitencourt, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Duque de Caxias, diz que o documento-surpresa com os cálculos da perícia comprometeu o exercício de ampla defesa. Agora, a Justiça analisará a questão, para decidir se o processo deve seguir adiante ou se seria necessário marcar uma nova audiência antes da decisão final.

“O processo penal, e principalmente ele, se funda no princípio da paridade de armas, em que oportunidades iguais devem ser dadas às partes, e, nessa paridade, o direito a prova e contraprova, que, em princípio, e por mero juízo deliberatório, suspeita-se violado, razão por que defiro a liminar de suspensão do processo a que se refere a impetração, sendo partes o paciente e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, até o julgamento do mérito do habeas corpus ora impetrado”, diz o desembargador na decisão.

Extra Online

Zeca Pagodinho volta dos EUA para ajudar vítimas da chuva em Xerém

Carolina Heringer

O cantor Zeca Pagodinho chegou de Orlando, nos Estados Unidos, na madrugada desta sexta-feira, para ajudar as vítimas da chuva no distrito de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Zeca, que estava em viagem familiar há uma semana, disse que “largou” a mulher, duas filhas e o neto nos EUA.

Zeca Pagodinho voltou dos EUA para ajudar em XerémZeca Pagodinho voltou dos EUA para ajudar em Xerém Foto: Marcelo Theobald / Extra

- Eu estava lá, mas com a cabeça aqui. Ficava o tempo todo falando com o meu filho Eduardo, que ficou aqui. Ficava preocupado também porque sabia que era muita coisa só para ele resolver sozinho. Eu amo esse povo de Xerém - disse.

Na noite do último dia 2, uma cabeça d’água deixou Xerém alagada. O cantor chegou às 4h40 desta sexta, acompanhado do filho, Luizinho, de 23 anos. Desde cedo, foi para as ruas ajudar. Segundo Zeca, sua maior preocupação é com a chuva que não para de cair em Xerém.

- Está tão forte quanto naquele dia (na noite da cabeça d’água). Espero que não aconteça de novo, mas estamos aqui, em alerta. Preocupa, né? Até porque tem gente que corre perigo e não tem para onde ir - pondera.

Zeca Pagodinho voltou dos EUA para ajudar em XerémZeca Pagodinho voltou dos EUA para ajudar em Xerém - Foto: Marcelo Theobald / Extra

No último dia 3, na manhã seguinte à cabeça d’água, Zeca foi para as ruas de Xerém ajudar a população, devastada pela chuva. Desde então, o cantor lançou uma campanha para arrecadar doações, que foi um sucesso. Agora, ele pede que as pessoas não mandem mais roupas, pois já há uma quantidade muito grande, e priorize o envio de material de limpeza e de uso pessoal.

- Queria agradecer aos meus amigos, que ajudaram muito. Aqui em casa, ajudamos Xerém o ano inteiro. É cesta básica, ovo da páscoa. Estou aqui há 23 anos, quando um amigo me trouxe para comprar um sítio. Nunca mais fui embora. Amamos esse lugar.

Zeca fez ainda um apelo para que caminhões-pipa busquem água na rede de tratamento montada na Rua Carlos Matheus, 93, em Xerém. Uma empresa paulista emprestou ao cantor um equipamento de tratamento de água para puxar a água do rio e deixar a água potável. Zeca pediu para quem puder enviar caminhões-pipas para buscar a água e distribuí-la para a população.

A solidaridade está no DNA da família de Pagodinho. Neste sábado, a partir das 18h, o sobrinho de Zeca, Renato Milagres, realiza a segunda edição do Mutirão de Amor por Xerém, no clube Renascença, no Andaraí. Os frequentadores da roda de samba poderão levar água, alimentos e produtos de higiene. Na última edição, foram arrecadadas três toneladas de doações.

Extra Online

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Xerém enfrenta agora os exploradores da dor alheia

Comércio local inflaciona preço de tudo, da água para beber até o pano de chão. Quem teve as casas atingidas na enxurrada faz vigília para evitar saques a imóveis

Por Fernanda Alves

Rio - Depois de perder tudo ou muito do que tinham na enxurrada do último dia 2, moradores de Xerém, distrito de Duque de Caxias, enfrentam agora a ganância do comércio da região, que inflacionou os preços da noite para o dia, se aproveitando do drama.

Nos mercados, itens básicos como leite e material de limpeza subiram muito. Um galão de 20 litros de água, que antes custava no máximo R$ 10, está saindo por até R$25. As vítimas também enfrentam saques às casas que foram interditadas.

Foto: Severino Silva / Agência O Dia

Foto: Severino Silva / Agência O Dia

Ontem, a gerente do principal supermercado da localidade foi presa e libertada sob fiança. Policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) fizeram operação e constataram irregularidades: além de preços abusivos, foram encontrados produtos fora da validade. “Um pano de chão estava sendo comercializado por R$ 7,25, o que é um absurdo”, disse o delegado titular, Paulo Roberto Freitas.

A dona de casa Renata Souza, 29 anos, que foi até o mercado comprar um pano para limpar sua casa, alagada na enchente, ficou assustada. “É triste ver gente se aproveitando da nossa desgraça. Pano de chão custa no máximo R$ 4”, lamentou. O supermercado informou que não aumentou preços com as chuvas e que o galão de água custa R$ 25 porque vem com a base.

VIGÍLIA CONTRA SAQUE

A família do promotor de vendas Carlos da Silva, 34 anos, que viu parte de sua casa arrastada pela força do Rio Capivari, acampou à beira do rio, em barraca improvisada de madeira e plástico. “Estão saqueando as casas vazias, então vim cuidar do pouco que me sobrou”, disse.

Ele dorme com mais cinco pessoas no espaço, com chão de terra, sem luz e só come quando voluntários doam quentinhas.

O grupo montou protesto no local: instalaram uma ‘sala de estar’ no meio do rio, com móveis que restaram do desastre, e colocaram uma boneca inflável sentada tomando café. Num cartaz, pedido de ajuda ao estado.

Prefeito promete uma ‘nova Xerém’

Ontem, o prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso, prometeu começar a construção de “uma nova Xerém”.

Ele afirmou que esta semana ainda irá a Brasília falar com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, sobre os R$ 30 milhões que seriam necessários para ajudar as vítimas e reconstruir parte do distrito.

Segundo ele, em dois meses, começarão a ser construídas novas casas, em áreas seguras. Mais oito casas foram demolidas ontem na margem do Rio Capivari. Ao todo, 150 serão removidas.

O Dia Online

Delegado vai indiciar médico do Salgado Filho por omissão de socorro

Rio - O delegado títular da 23ª DP (Méier), Luiz Archimedes, que investiga o caso da menina Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos, vítima de uma bala perdida na noite do Natal, que esperou durante oito horas por uma cirurgia, afirmou nesta terça-feira, que vai indiciar o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves por omissão de socorro.

Gonçalvez deveria estar de plantão no Hospital Municipal Salgado Filho, para onde a menina foi levada, na noite de Natal, mas não compareceu. Por isso, a bala que atingiu a cabeça de Adrielly não foi retirada imediatamente e a menina esperou por oito horas, até ser transferida para outra unidade.

Chefe de Plantão afirma que não conhece pessoalmente o médico faltoso

Nesta terça, depois de faltar a duas convocações da polícia, o chefe do plantão do Hospital Salgado Filho, o médico Ênio Eduardo Lima Lopes, compareceu à 23ª DP (Méier) para prestar esclarecimentos. De acordo com o delegado, o médico disse em depoimento que apesar de trabalharem no mesmo plantão há dois anos, não conhecia pessoalmente o neurocirurgião Adão Crespo Rodrigues, que faltou ao plantão de Natal e provocou a demora no atendimento à Adrielly.

No depoimento, Lopes afirmou que, ao tomar conhecimento da gravidade do fato e da falta de um médico neurocirurgião, solicitou via fax um laudo de vaga a outro hospital que tivesse a especialização de neurocirurgia.

Médico Adão Crespo dos Santos é ouvido na 23ª DP | Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia

Médico Adão Crespo dos Santos é acusado pela família de omissão de socorro | Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia

O documento foi enviado através de um funcionário do Núcleo Interno de Regulação (NIR) do Hospital. Mais tarde, outro funcionário do NIR confirmou o recebimento na Central Reguladora de Vagas.

O médico disse que ficou aguardando uma resposta da Central Reguladora de Vagas e outra ambulância para transportar a vítima, mas não obteve êxito. O chefe da emergência afirmou ainda que a criança teve todo o suporte da equipe médica ao dar entrada no hospital. Ainda segundo o delegado, os dois funcionários da NIR também já foram chamados para prestar depoimento.

O médico Mário Lapenta, responsável pela cirurgia para retirada da bala que atingiu a jovem Adrielly foi ouvido na 23ª DP (Méier) nesta segunda-feira.

Em depoimento, Lapenta negou que a morte de Adrielly tenha ocorrido devido às oito horas de espera ocasionadas pela falta do plantonista Adão Crespo Rodrigues. Segundo o médico, a lesão provocada pelo disparo foi grave o suficiente para gerar o óbito, ainda que a menina fosse operada imediatamente.

Menina de 10 anos foi baleada na cabeça durante noite de Natal | Foto: Agência O Dia

Menina de 10 anos foi baleada na cabeça durante noite de Natal | Foto: Agência O Dia

Vítima morreu na última sexta-feira

A menina Adrielly, de 10 anos, morreu na tarde da última sexta-feira, no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Adrielly teve morte cerebral confirmada no domingo anterior.

Adrielly deu entrada no dia 26 de dezembro em estado grave na unidade, após ser transferida do Salgado Filho, no Méier, onde esperou oito horas para ser operada. Ela será enterrada neste sábado, em horário ainda não definido, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte.

A criança havia sido atingida por uma bala perdida na comunidade Urubuzinho, em Pilares, Zona Norte do Rio, e ficou no hospital sem atendimento na noite do Natal.

O neurocirgurgião Adão Crespo Gonçalves, que estava de plantão na ocasião, faltou ao trabalho.

O Dia Online

domingo, 6 de janeiro de 2013

Filho de Zeca Pagodinho diz que ele quer voltar dos Estados Unidos para ajudar Xerém: ‘Sem clima para diversão’

Ana Carolina Torres

Filho de Zeca Pagodinho, Eduardo Chaves, de 25 anos, disse que recebeu um telefonema do pai - de férias na Disney, nos Estados Unidos - dizendo que quer voltar para casa ainda neste sábado para ajudar as vítimas do temporal em Xerém, na Baixada Fluminense. Segundo Eduardo, Zeca ficaria 15 dias no parque temático:

- Mas ele não está aguentando. Falou que está sem clima para diversão. Na verdade, já viajou triste. Foi para lá com a cabeça aqui.

Eduardo contou ainda que faz sol em Xerém neste sábado e, com isso, moradores começam a limpar suas casas.

Os moradores trabalhando na limpeza de suas casa, em XerémOs moradores trabalhando na limpeza de suas casa, em Xerém Foto: Fabiano Rocha / Extra

- Ontem (sexta-feira) choveu e, por isso, a galera não estava conseguindo retirar a lama. Mas ainda está horrível. É muita gente chorando pela rua. A gente, que cresceu aqui, fica com o coração doendo - contou o rapaz.

Eduardo está com caminhão para receber donativos na Igreja Batista de Xerém, na Rua Ernani 13, na Praça de Xerém. Segundo ele, muitas pessoas estão colaborando e não há data para a mobilização terminar.

Zeca Pagodinho, emocionado, na quinta-feiraZeca Pagodinho, emocionado, na quinta-feira Foto: Pablo Jacob / Extra

Zeca Pagodinho emocionou a todos ao arregaçar as mangas e sair para ajudar a população de Xerém - onde tem um sítio - na manhã de quinta-feira. O cantor foi às ruas num quadriciclo e chorou ao ver a destruição no local. Ele também lançou uma campanha pelo Facebook.

extra.globo.com

Bandidos furtam lojas para alterar vários carros de uma só vez, e, depois, vendê-los

Carolina Heringer

Quadrilhas especializadas na clonagem de carros estão investindo no furto em “larga escala”: nos últimos meses, pelo menos três revendedoras de veículos foram assaltadas — em Bangu, Barra da Tijuca e Itaboraí.

A revendedora de veículos invadida em Bangu: 12 carros foram furtados de uma só vezA revendedora de veículos invadida em Bangu: 12 carros foram furtados de uma só vez Foto: Fabiano Rocha / EXTRA

Para a polícia, os carros têm destino certo: eles passarão a ter os dados idênticos ao de outro em situação regular, e que tenha a mesma cor, modelo e ano de fabricação do furtado. Serão clonados. No caso mais recente, no último dia 28, os bandidos levaram 12 carros de uma loja em Bangu. Cinco deles já foram recuperados pela polícia. Entre os carros levados estavam um Fiat Palio branco de 2006, um Fiat Siena vermelho de 2006 e um Renault Clio cinza de 2007. Os modelos preferidos das quadrilhas são os mais populares — de acordo com a polícia, mais fáceis de serem clonados e furtados, além de não chamarem a atenção.

O proprietário da revendedora, Deodato Campos Machado, conta que o prejuízo foi de mais de R$ 240 mil. Na loja, os bandidos só deixaram três carros, que estavam sem bateria. Ele ressalta que desconhecia essa prática:

— Nunca ouvi falar de roubo assim aqui em Bangu, nem em nenhum outro lugar. Espero que não vire moda.

A clonagem de veículos têm se mostrado uma prática lucrativa para os criminosos. Para copiar os documentos, número de chassi e placa de outro carro idêntico, o gasto é de, no máximo, R$ 4 mil. Aliado a isso, está a falta de conhecimento da população sobre a prática, além da má-fé daqueles que sabem estar comprando um carro roubado, mas aceitam fechar o negócio assim mesmo, já que esses veículos são vendidos a preços bem mais baixos do que os de mercado.

Os cuidados ao comprar um carro usado e ao cair no clone

Placa

Ao comprar um carro usado, consulte a placa no site do Detran (www.detran.rj.gov.br) para saber se foi furtado ou se tem multas.

Documentos

Exija documentos originais (CRLV e CRV) e verifique se o IPVA está em dia.

Chassi

Veja se o número do chassi que consta no veículo é o mesmo impresso nos documentos.

Preços baixos

Uma das desculpas para o baixo valor do carro clonado é que ele está em busca e apreensão, que acontece quando alguém parcela um carro e não paga. Desconfie dessa alegação.

Caso de polícia

Ao suspeitar que teve o veículo clonado, procure a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) com o carro, fotos dele (da frente, laterais e traseira), além da documentação. Em seguida, procure o Detran para anular multas que não forem suas.

Crime

Quem suspeitar que comprou um veículo clonado também deve procurar a DRFA. Será aberta uma investigação. Quem compra o carro sabendo ser irregular responde por receptação.

extra.globo.com

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Zeca Pagodinho ajuda vítimas da chuva em Xerém, RJ

Cantor percorre ruas da região para ajudar a população.
Chuva deixou um morto e cerca de 200 pessoas desalojadas em Xerém.

Do G1 Rio

O cantor Zeca Pagodinho percorre ruas de Xerém, no município de Duque de Caxias, na manhã desta quinta-feira (3), para ajudar as vítimas da chuva. Por volta das 10h, o cantor andava com a filha pelas ruas de Xerém. (Foto: Cléber Júnior/ Agência O Globo)O cantor Zeca Pagodinho percorre ruas de Xerém, no município de Duque de Caxias, na manhã desta quinta-feira (3), para ajudar as vítimas da chuva (Foto: Cléber Júnior/ Agência O Globo)

 

O cantor Zeca Pagodinho percorreu ruas de Xerém, no município de Duque de Caxias, na manhã desta quinta-feira (3), para ajudar as vítimas da chuva que atinge várias regiões do estado desde a noite de quarta (2). Por volta das 10h, o cantor andava com a filha pelas ruas de Xerém. Em entrevista à TV Globo, Zeca disse que sua casa foi "mais ou menos afetada" pela chuva.        

    

"Estou aqui há quase 20 anos. Adoro isso aqui, meus filhos foram criados aqui. Nunca vi algo parecido. Está triste. Lá em cima a situação está muito ruim. Tem criança desaparecida, tem família soterrada. Tem casa que desceu rio abaixo. A gente está aí, desde as 6h da manhã, ajudando, mas está triste", contou o cantor, que emocionado, pede para que o socorro seja voltado para a parte mais atingida de Xerém.

O sambista, que tem um sítio e uma casa em Xerém, abrigou o casal vizinho Leonardo Oliveira, de 30 anos, e Raylua Cardoso, de 24 anos, e os dois filhos, uma menina de 1 ano e 2 meses e um menino de 5 anos.  A família perdeu a casa após o temporal que atingiu o município na madrugada desta quinta-feira (3).  “A minha filha menor Maria Eduarda está chorando muito porque está preocupada com as amiguinhas que moram aqui e também perderam as casas. Eu ajudo como posso. Abriguei este casal de amigos aqui e tem várias crianças na minha sala”, contou o sambista em entrevista ao G1.

Sítio de Zeca Pagodinho ficou coberto de lama após chuva em Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (Foto: Renata Soares/G1)Sítio de Zeca Pagodinho ficou coberto de lama após chuva em Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (Foto: Renata Soares/G1)

Zeca disse também que acordou às 6 horas da manhã para distribuir cestas básicas e roupas nos abrigos instalados nas igrejas da região. “Passei o Natal e o Ano Novo aqui e vou embora ainda hoje. Mas, antes disso, a Defesa Civil precisa vir aqui para poder ajudar essas pessoas que perderam desde as casas até alimentos e móveis. Vou estar sempre por perto para ajudar o meu povo”, completou o cantor. 

Zeca Pagodinho também teve perdas com efeitos da chuva. A casa dele não sofreu danos, mas alguns animais que tem no terreno morreram. “Foram dois cabritinhos e três coelhos. Quando eu acordei de manhã meus bois estavam só com o olhinho para fora. Quase morreram afogados”, comentou.

Uma pessoa morreu na manhã desta quinta em decorrência da chuva. A morte foi confirmada pelo secretário de Defesa Civil de Duque de Caxias, Marcelo Silva Costa. Segundo ele, o corpo de um homem foi encontrado sob escombros provocados por um desabamento. Até as 11h, a vítima não tinha sido identificada.

Segundo a Defesa Civil de Duque de Caxias, cerca de 200 pessoas ficaram desalojadas em Xerém. Todas foram levadas para abrigos localizados no município. Um deles fica na Praça da Mantiqueira.

Bombeiros de três quartéis trabalham na região de Xerém. Segundo os bombeiros, oito casas desabaram. Três pontes também foram destruídas pela enchente. Devido à chuva, o Rio Saracuruna transbordou. Choveu 212 milímetros em 24 horas na localidade.

De acordo com a Defesa Civil do município, vários pontos de alagamentos se formaram. Pessoas ficaram ilhadas. Alguns moradores deixaram as casas com água na cintura, levando os pertences nas costas. Diversos veículos foram arrastados. O bairro da Mantiqueira é um dos locais mais atingidos.

O secretário de Defesa Civil disse que ainda não é possível confirmar o transbordamento de uma barragem na região. "Não há indício deste fato. O rompimento da barragem não está confirmado", afirmou Marcelo Silva Costa. Segundo ele, a chuva foi bastante significativa para provocar a enchente na área.

Mapa de Duque de Caxias (Foto: G1)

"Chegamos à conclusão de que foi uma cabeça d’água, desencadeando uma enxurrada brusca que trouxe uma grande avalanche de terra, árvores, pedras até as casas que estavam no beira-rio”, disse Costa.

Em Angra dos Reis, cerca de 2.500 pessoas vão ter que sair de suas casas em função da chuva. Por volta das 8h voltou a chover forte na região e equipes da Defesa Civil retiravam as pessoas das casas. Nove imóveis foram atingidos por um deslizamento de terra no distrito do Frade, deixando 15 pessoas com ferimentos leves.

Água invadiu casas às 3h, diz morador

Ronaldo Barbosa, morador de Xérem, disse que a água começou a invadir as casas por volta das 3h desta quinta-feira e chegou a uma altura de 2 metros.

"A situação está uma calamidade, muitas pessoas perderam tudo, o negócio está feio. Fazia 50 anos que não chovia tanto", disse Barbosa. "Na madrugada, vizinhos começaram a me ligar e avisar. Eu não tinha visto a água subir. Como minha casa tem dois andares, começamos a levar os móveis para o andar de cima. O térreo ficou submerso", afirmou o morador à Globo News.

Outras cidades

Em Petrópolis, dois rios transbordaram, segundo a Globo News. Cerca de 40 pessoas foram retiradas de suas casas. Em Teresópolis, sirenes tocaram em quatro bairros para avisar a população da chuva forte. Também houve desalojados.

Cidades do Rio de Janeiro atingidas pelo temporal  (Foto: Editoria de Arte/TV Globo) 

g1.globo.com