quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Traficantes delimitam visita de Gabeira e Cesar em favelas de Macaé

Candidatos são intimidados por bandidos com pistolas em comunidade no Norte Fluminense

POR PÂMELA OLIVEIRA

Macaé - Fernando Gabeira, candidato do PV ao governo do Rio, e Cesar Maia, candidato ao senado pelo DEM, tiveram momentos de tensão na manhã desta quinta-feira ao realizarem campanha no município de Macaé, no Norte Fluminense.

Em visita a duas favelas da cidade, o itinerário dos candidatos foi delimitado por traficantes que exibiram fuzis e pistolas e impediram que os dois circulassem por algumas áreas da comunidade.

Gabeira e Cesar Maia chegaram à favela da Nova Holanda pouco antes do meio-dia. Com apenas dez minutos de caminhada pela favela, acompanhado de alguns políticos locais e da imprensa, a comitiva foi parada por pessoas que se diziam da Associação de Moradores, dizendo que o acesso de todos estava impedido além daquelas três quadras. Gabeira enfrentou a proibição e questionou o porquê do ultimato.

Gabeira: 'Ninguém me segura'

"Eu vou em qualquer lugar do Rio de Janeiro. Ninguém me segura. Se a ditadura militar não me segurou, ninguém mais fazer isso", disse Gabeira a um dos moradores que barrou a equipe, seguindo com a caminhada pela favela.

Algumas pessoas passaram então a seguir a comitiva proibindo fotografias e a entrada de Gabeira e Cesar em algumas localidades da comunidade. A todo momento, homens armados circulavam de moto exibindo fuzis e pistolas, e muitos ameaçavam os fotógrafos caso alguma foto fosse tirada do local.

Os candidatos mostraram não se intimidar com os traficantes e inclusive entregaram "santinhos" e folhetos de campanha para alguns. "Vi gente armada, mas entreguei meu cartão, fingi que nada estava acontecendo e me afastei. Sou candidato e não policial", disse Cesar Maia.

Críticas à política de segurança

Gabeira lamentou o ocorrido: "Infelizmente essa era uma realidade do município do Rio e agora é estadual. Não existe uma política de segurança, o que existe é uma ocupação progressiva e irregular dessas comunidades, que sofre com a ação desses bandidos".

Gabeira lembrou ainda que em abril esteve na mesma comunidade, mas que desta vez o potencial de fogo mostrado pelos bandidos era bem maior.

"A violência é uma realidade no Rio que não se limita às comunidades que estão recebendo as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora). Eu duvido muito que o estado tenha homens e recursos suficientes para implantar as unidades em todas as favelas do Rio", declarou o candidato.

O Dia Online - Eleições 2010

Médico residente é encontrado morto no Hospital Souza Aguiar

POR LUARLINDO ERNESTO

Rio - O estudante de medicina Demétrio Francisco, 22 anos, foi encontrado morto no alojamento do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, nesta quinta-feira. Os familiares, sem contato até pelo celular, procuraram o hospital nesta manhã e o corpo foi localizado no dormitório. De acordo com parentes da vítima, o residente estava desaparecido há três dias.

Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia

Pouco depois de encontrarem o corpo do estudante de medicina, agentes da Polícia Civil estiveram no Hospital Souza Aguiar | Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia

Técnicos da perícia técnica da Polícia Civil encontraram ampolas de morfina ao lado do corpo do estudante. O jovem também estava com uma agulha espetada no pé. Ele estava sobre uma poça de sangue e a TV estava ligada.

Demétrio trabalhava na cirurgia geral e, como os residentes estão em greve, ninguém apareceu no alojamento esta semana. Exames no IML podem determinar a causa da morte. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou apenas que um homem foi encontrado morto no alojamento.

O DIA ONLINE - RIO

Polícia afirma que militar teria mandado matar jovem em ônibus

Rio - A Polícia Civil informou, no final da tarde desta quinta-feira, que um militar teria sido o mandante da morte do adolescente Michael Jackson Ribeiro Martinez, de 16 anos, no último dia 7 de agosto. O estudante foi morto após discussão em um ônibus que passava pelo bairro Paraíso, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

De acordo com o delegado Átila Lafere, da 56ª DP (Comendador Soares), colegas de uma unidade do Exército teriam reconhecido o militar pelas imagens do celular de uma passageira, que mostra o homem que ligou para o susposto irmão matar o rapaz.

Crime ocorreu após desentendimento

Michael Jackon foi morto após uma discussão no interior do ônibus em que viajava, em Nova Iguaçu. Após esbarrar em uma passageira, o estudante e o homem que acompanhava a mulher se desentenderam. O desconhecido ligou do telefone celular para um comparsa, que embarcou no ônibus, na Rua Joaquim Távora, no mesmo bairro. O criminoso entrou no coletivo, disparou contra o jovem e desapareceu. O pânico foi geral e, aproveitando a confusão, o casal e o criminoso fugiram.

O DIA ONLINE - RIO

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Casal é assaltado e agredido na Av. Brasil. E a polícia só assiste

Herculano Barreto Filho

Violência em Irajá

O jogador de futebol, com a marca da agressão no alto da cabeça. Foto: Cléber Júnior

Oito bandidos, armados com fuzis, espancaram vítimas com chutes e coronhadas, roubaram dois carros e aterrorizaram motoristas na Avenida Brasil, na altura de Irajá, no fim da madrugada deste sábado.

O crime ocorreu a cerca de cem metros de um posto da Polícia Militar, no sentido Centro da pista. Uma dona de casa de 30 anos, que pediu ajuda ao policial de plantão no posto, disse que ele admitiu ter presenciado o crime, mas não agiu.

A perseguição começou quando um jogador de futebol de 30 anos, que conduzia um Golf e estava com a mulher no carona, percebeu que um dos ocupantes de um Citroën C-4 Pallas estava apontando um fuzil para o seu carro. Ele acelerou e tentou despistar os bandidos, mas foi rendido quando criminosos que davam cobertura ao grupo, num Corolla, fecharam a passagem e colidiram no seu veículo.

Chutes e coronhadas

O homem foi agredido a coronhadas e precisou levar cinco pontos na cabeça.

— Eles saíram do carro perguntando se eu fugi porque era “polícia” e começaram a me agredir. Fiquei todo ensanguentado, no meio da Avenida Brasil.

A mulher foi arrancada do carro pelos cabelos e recebeu chutes na barriga. Tudo isso bem no meio da Avenida Brasil, que foi fechada pelos bandidos. Na fuga, eles ainda levaram um Corsa de outro motorista que passava pelo local.

Mulher: ‘Ele viu tudo e não fez nada’

A cabine da PM que fica perto do local do crime: policiais negam ter ouvido ou visto o ataque. Foto: Cléber Júnior

'Ele (o PM) viu e não fez nada. Mas foi melhor assim. O policial que estava lá iria morrer com a gente'. Parecendo conformada, a dona de casa agredida pelos bandidos afirmou, nesta segunda, que o PM dentro da cabine na Avenida Brasil não trocou tiros com os bandidos — e nem deveria, na opinião dela — ou pediu reforço para interceptar os ladrões em outro ponto da via. Ela e o marido descreveram os momentos de medo e impotência vividos no fim da madrugada de sábado.

— Eles fecharam a Brasil e desceram, com fuzis. Estavam todos bem vestidos. Usavam cordão de ouro no pescoço e não falavam gírias. Eles me agrediram com coronhadas na cabeça. Só não me mataram ali mesmo porque um outro homem desceu de um dos carros e disse: “Não mata, não”. Achei que ia morrer — disse o marido.

O Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) pode instaurar Inquérito Policial Militar (IPM) ainda nesta terça para apurar o episódio. Os dois PMs que estavam de plantão no posto negaram a versão dada pelas vítimas e disseram que só ficaram sabendo do crime após a chegada da mulher.

A PM afirmou ter tomado providências após o crime, intensificando a fiscalização na Avenida Brasil, com patrulhamentos, blitzes e carros descaracterizados, para localizar os criminosos envolvidos nos dois roubos na via, próximo à Favela do Amarelinho.

O crime está sendo investigado pela 27 DP (Vicente de Carvalho), que apura a possibilidade de envolvimento de duas quadrilhas que atuam na área. O casal que foi vítima do ataque irá à delegacia nesta terça para tentar identificar suspeitos.

Casos de Polícia: Extra Online

MP pede novamente prisão de acusado de espancar taxista no Galeão

Foto: Reprodução

Circuito interno do aeroporto mostra taxistas espancando Kléber | Foto: Reprodução

Rio - O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu novamente, nesta terça-feira, a prisão preventiva do taxista José Cosmo Neres de Freitas, acusado de espancar o também taxista Kléber Luiz Oliveira da Rosa. O crime ocorreu na madrugada de 7 de julho, no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, na Ilha do Governador.

O pedido de prisão preventiva já havia sido pedido, mas foi indeferido pela 2ª Vara Criminal do Rio. Nesta terça, o promotor de Justiça Sauvei Lai, titular da 30ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), da 1ª Central de Inquéritos, interpôs recurso contra a decisão anterior. No recurso, Sauvei reitera que os argumentos usados na denúncia contra José Cosmo são concretos e embasados em dados específicos, como formação de cartel, extenso histórico criminal do mesmo e a sua liderança na tentativa de matar Kléber.

De acordo com o promotor, as consequências só não foram piores graças à intervenção de pessoas que estavam no aeroporto, na hora do crime. Mesmo assim, Kléber, que ficou seis dias internado no serviço de neurocirurgia do Hospital Miguel Couto, sofreu múltiplas fraturas, debilidade da função mastigatória, teve amnésia e perdeu um dente.
Segundo o MPRJ, José Cosmo já havia se envolvido em outras brigas com outros taxistas pelo mesmo motivo – manter, para a cooperativa de táxi à qual pertence, o monopólio sobre a atividade de embarque de passageiros no Tom Jobim.

Além de José Cosmo, foram denunciados, por tentativa de homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha (o juiz rejeitou a formação de quadrilha) Edson Neres de Freitas, Wagner de Oliveira Manoel e Vinicius Araújo. Câmeras do circuito de segurança da Infraero os identificaram como agressores.

A causa do desentendimento estaria no fato de Kléber, que não pertence à cooperativa dos acusados, pegar um passageiro no aeroporto. Para eles, a cooperativa à qual pertencem teria direito exclusivo sobre “o ponto”, o que carece de amparo legal, já que a autorização da Prefeitura permite o uso do espaço público pela cooperativa apenas como base de apoio, e não para fins de monopólio.

O DIA ONLINE - RIO

Site Ficha Limpa: só 37 inscritos

Dos cadastrados, apenas 2 são candidatos a governador. Plínio é o único presidenciável

Marcelle Ribeiro

Vinte dias depois de ser lançado, o site Ficha Limpa (fichalimpa.org.br) tinha só 37 candidatos cadastrados até ontem à tarde, apesar de o interesse dos internautas ter sido grande. Foram mais de 113 mil visitas ao site, que reúne candidatos que se comprometem a prestar contas de campanha, pela internet, em tempo real, e que estejam em dia com a Lei da Ficha Limpa. O site é organizado pelo Instituto Ethos.

Apenas um candidato à Presidência se cadastrou: Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. O Ethos mandou uma carta aos presidenciáveis questionando o motivo de não terem nem ao menos tentado se cadastrar.

Apenas dois candidatos a governador estão registrados: Fernando Gabeira, que concorre ao governo do Rio pelo PV, e Soraya Tupinambá, que disputa o governo do Ceará pelo PSOL.

— A gente acha que, entrando os candidatos à Presidência (no site), vai dar um estímulo maior para que outros candidatos, a outros cargos, também entrem — diz o gerente de políticas públicas do Instituto Ethos, Caio Magri. Para ele, o número de inscritos não é pequeno: — Representa o início de uma caminhada nas eleições. Estar no cadastro exige que o candidato preste contas semanalmente e exige também mudanças políticas.

Dos cadastrados, além de Plínio, 28 políticos concorrem a deputado federal, dois a governador e seis ao Senado.

São Paulo é o estado com mais representantes: 13. Depois, vêm Rio (seis), Distrito Federal (cinco) e Santa Catarina (quatro). Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul têm dois cada, e a Bahia tem um.

Candidatos do Rio

Número      Nome Candidato                                   Partido   Cargo

43          Fernando Paulo Nagle Gabeira                    PV      Governador

5050       Francisco Rodrigues de Alencar Filho          PSOL   Dep Federal

233         Marcelo Augusto Diniz Cerqueira               PPS     Senador

1333       Antônio Carlos da Silva Biscaia                 PT       Dep Federal

4560       Marcelo Calero Faria Garcia            PSDB   Dep Federal

1313       Alessandro Lucciola Molon                       PT        Dep Federal

contato@fichalimpa.org.br

Ricardo Noblat: O Globo

domingo, 15 de agosto de 2010

Enterro da menina Joanna é marcado por confusão entre familiares

POR GUILHERME SCARPA

Rio - O enterro da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, que morreu após passar 26 dias internada na UTI, foi marcado por tristeza e protestos. A família, desolada, se revoltou quando Vanessa Marins, madrasta da menina, tentou entrar no cemitério. Casada com André Rodrigues Marins, pai de Joanna, Vanessa foi xingada de "filha da p...", "assassina" e "safada" pelos parentes da menina.

Cercada por familiares e amigos de Joanna, ela deixou o local assim que foi descoberta pela imprensa. Acompanhada de um rapaz que não foi identificado, Vanessa entrou em um carro preto e foi embora. André, o pai, não compareceu ao sepultamento da filha. Ele é suspeito de ter agredido a filha fisicamente antes de sua internação médica, que resultou em morte na última sexta-feira. 

Cristiane Ferraz, totalmente abalada emocionalmente, não quis se pronunciar em relação à morte da filha. O enterro aconteceu na tarde deste domingo, às 16h, no cemitério Jardim de Mesquita, no município de mesmo nome, na Baixada Fluminense.

Ontem à tarde, familiares e amigos da médica Cristiane Marcenal Ferraz, mãe de Joanna, fizeram manifestação na porta do Fórum de Nova Iguaçu. Foi de lá que saiu a decisão judicial que transferiu a guarda de Joanna da médica Cristiane Ferraz para o pai da menina, o técnico judiciário André Rodrigues Marins. A família da mãe acusa André de maltratar a criança.

“Nós já tínhamos feito dois registros de ocorrência por maus-tratos em 2007. Na primeira vez, a menina apareceu com uma mordida. E na segunda, com hematomas no corpo. A Justiça suspendeu as visitas dele, mas em janeiro de 2008 ele reconquistou o direito. Mas ficou dois anos sem ver a Joanna. Voltou a aparecer só em dezembro passado e depois houve o pedido de reversão de guarda”, contou Juliana Marcenal, tia de Joanna.

A médica Sarita Fernandes Pereira teria atendido Joanna no Hospital RioMar, para onde ela foi levada pelo pai após sofrer crise convulsiva. Lá, a menina foi medicada e liberada. Como não melhorou, André retornou com a filha no dia seguinte. Na ocasião, a criança foi atendida por Alex da Cunha Silva. Ele receitou dois medicamentos e a liberou ainda desacordada. Na terceira ida ao médico, o pai da menina trocou de hospital e a levou para o Amiu, onde ela ficou em coma até morrer.

O DIA ONLINE - RIO