O governo do estado está formando turmas com até 60 alunos numa escola pública em Vila Isabel, na Zona Norte. A prática acontece no Colégio Estadual João Alfredo, um dos mais antigos do Brasil. Com a reestruturação do quadro de horários, duas turmas do ensino médio passaram a ter mais de 60 estudantes, mas as salas de aula têm somente 38 carteiras para os alunos no turno da noite.
— Não há condições de um professor dar atenção a 61 alunos. Sequer há espaço — disse José Roberto Lima, de 35 anos, estudante do 1º ano do ensino médio, que foi transferido da turma 1028 para a 1026.O procedimento não é um “privilégio” do Colégio João Alfredo. A mesma situação repete-se na Escola Estadual Operário João Vicente, em Duque de Caxias, onde quase todas as turmas começaram o ano com mais de 50 alunos. Em uma delas, do 9 ano, 63 adolescentes chegaram a dividir a mesma sala de aula.
— No início das aulas, havia 63 alunos matriculados. Faltava lugar para a gente sentar, tínhamos que pegar cadeiras em outra sala. Era só um ventilador para vários alunos -— conta Camila Souza, de 14 anos, lembrando que, agora, 58 alunos ainda frequentam a turma.
Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não estabeleça um limite de alunos por turma, deixando as redes de ensino livres para criar parâmetros próprios, o número de 60 estudantes por sala de aula é considerado um número bem acima do recomendado por educadores.
— O limite aceitável numa turma de ensino médio é entre 40 e 45 alunos — diz Bertha do Valle, professora da Faculdade de Educação da Uerj.
A medida foi duramente criticada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe).
— Se os 62 alunos aparecerem, não dá para ter aula. Em vez de tentar atrair o aluno para o colégio, o governo já trabalha com a lógica do aluno fantasma — disse Edna Félix, diretora do Sepe. (Leia aqui a matéria completa sobre a superlotação nas salas de aula).
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